21 de ago. de 2015

Simples assim!

Hoje é dia de um novo texto aqui, e de minha responsabilidade. Estava programado para falar sobre educação de filhos, já tenho esse texto prontinho para postar. Mas hoje, hoje eu não quero falar sobre isso.
Quero falar de coisa leve, doce… nuvens de algodão, suspiros de açúcar daqueles coloridos, cheios de anilina (rosa, amarelo, verde, azul) que tanto adorávamos e que lembram infância.
suspiros
Quero falar de pular corda, amarelinha, elástico… lembram?. De brincar até tarde, fazer cócegas e dar gargalhadas gostosas de doer a barriga…
De pular de pijamas em cima da cama e competir para saber quem pula mais alto… de dar beijos de borboletas, sabem?
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Quero falar do aroma do café sendo passado no coador enquanto o sol nasce lá fora… do bolo de milho assando no forno; da pipoca estourando na panela…
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De caminhar na praia bem cedinho, comungando com beleza da natureza antes de qualquer pessoa chegar, ouvir o barulho do mar… Ah! O barulho do mar, o som da chuva, o cheiro de terra molhada, da grama cortada…
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Quero falar do quanto é valioso aquele banho demorado e cheio de espumas, de ficar o dia inteiro de pantufas e creme no cabelo, enrolada no cobertor quentinho. Se jogar no sofá e ler um livro, bebericando uma caneca de chá…
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De ficar lagarteando no sol quando o friozinho do inverno chega…
De dormir de conchinha, debaixo do edredon. De acordar e receber ou dar um beijo de bom dia com bafo de leão… de escutar o telefone tocar e saber que aquela pessoa tão querida está do outro lado para conversar…

Quero falar do prazer de ir na manicure  pintar as unhas com um esmalte novo, no cabeleireiro fazer um novo corte de cabelo e se sentir bem.

Quero falar das coisas simples da vida, dos pequenos prazeres que, por serem tão simples e tão pequenos, passam despercebidos.
Quero falar que boa parte da felicidade que gente tanto procura está ali, ao alcance de todos. É só parar de olhar o futuro e prestar atenção a sua volta, ao seu dia a dia. Quero sugerir que você deixe um pouco de lado esse adulto ranzinza e exigente e use mais a criança que existe em você. Desligue o botão automático da vida e começar a ser feliz. Com o pouco que achamos que temos, com o muito, com o que merecemos!
helck assinaturaHelck Souza
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*Texto publicado no blog www.quarentando.wordpress.com
Blog que Helck divide com suas amigas, também jornalistas, Juliana Bettini, Maria José Klain e Mônica de Souza Rodrigues

Cazuza tinha razão: o tempo não para!

Essa semana assisti ao filme “O retrato de Dorian Gray”, baseado no único romance de Oscar Wilde. O filme conta a história de Dorian, um garoto que é retratado por um artista que se encanta com a beleza do rapaz. Dorian, ingênuo, se deixa seduzir pela ideia de que a beleza e a satisfação física são as únicas coisas que valem a pena seguir na vida. E assim, para manter sua beleza, vende sua alma, garantindo que o retrato pintado envelheça em seu lugar. Logo depois, zapeando na tevê, sintonizo o canal Viva que, naquele momento, passava o programa da Ana Maria Braga e percebo o quanto ela tenta esconder, em vão, o peso da idade em seu corpo.
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Pronto, já fiquei remoendo tudo isso. Talvez pelo fato de que falta pouco para apagar as quarenta e uma velinhas; talvez por que livros e filmes me levam naturalmente a pensamentos assim ou, ainda, talvez porque eu goste de ficar ruminando, remoendo mesmo.  Só sei que esse foi o gatilho que deu inicio à reflexão do quanto damos importância a aparência, a beleza exterior já que, desde sempre, ouvimos falar da Fonte da Juventude, do Santo Graal, em prol da vaidade e do poder. Negamos o ciclo natural da vida: “nascer, crescer, reproduzir (item opcional), envelhecer e morrer”. Cazuza realmente tinha razão, “o tempo não para” e não paramos no tempo.
Essa tentativa humana de burlar o tempo, com o conceito de que só o jovem pode ser feliz é tão profunda quanto um pires. Quando jovens, podemos ter mais disposição física sim mas, juventude não é sinônimo de felicidade. Longe de mim, querer dizer que vaidade é algo negativo, quando em excesso, pode deixar de ser saudável e passa a ser um problema. E quando saber que ela se tornou um problema? Quando negamos as marcas do tempo em nosso corpo e nos tornamos uma caricatura de nós mesmos.
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O mercado de fórmulas milagrosas, das intervenções estéticas e cirúrgicas, dos complexos vitamínicos, está em alta e fatura bilhões anuais. Mas de que adianta arrumar a parte externa quando é a interna que precisa de ajuda? A não aceitação de seu corpo, da sua realidade, seja ela qual for, é sim, um grande problema. Claro, podemos sempre melhorar ou realçar o que temos de melhor; podemos nos beneficiar de cosméticos e de todas essas intervenções, mas estou falando de excessos. Como é o caso da história do filme, da Ana Maria, da Gretchen e de tantos outros casos tão extremos que vemos por aí. Porque, desculpem-me, eu não encaro isso que elas estão fazendo com o próprio corpo como algo natural. Sei que a definição de feio e bonito depende de cada um, mas temos que levar em conta os limites da beleza e da vaidade, a despeito de modismos e circunstâncias. Entendo que elas viraram reféns de algo que foi transformado com o tempo, viraram mulheres maduras e não se aceitaram como tal. Querer resgatar a aparência que ficou presa no passado é não viver o presente de forma saudável.
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Cada um é dono do seu nariz e faz o que bem entende com o próprio corpo, mas é visível o sofrimento das pessoas que não reconhecerem seu envelhecimento. A vida seria muito mais simples se aceitassemos a realidade.
Afinal, todos queremos viver por muitos e muitos anos mas, não querer envelhecer é, de certa forma, negar a própria existência.
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Helck Souza

* Texto publicado no blog www.quarentando.wordpress.com
Blog que Helck compartinha com suas amigas Juliana Bettini, Maria José klain e Monica de Souza Rodrigues

6 de out. de 2013

Nas asas de um sonho

Hoje eu vim falar de arte, de exemplo, de humildade e de fé.
Hoje eu vim falar de Roberto Vascon, que escolheu Curitiba, depois de seu estado natal, Minas Gerais, para lançar sua biografia "Nas asas de um sonho", na sexta-feira, dia 4. 


Após os aplausos que o receberam na Livraria Saraiva do Shopping Crystal, Roberto Vascon cumprimenta calorosamente e agradece à todos pela presença. Segue em direção à mesa para a sessão de autógrafos, olha para mim e aponta sorrindo para a minha bolsa: "linda sua bolsa!" respondo de imediato: "linda a história de quem a fez".

E assim, Vascon começa a autografar sua biografia "Nas asas de um sonho", escrita por Elias Awad. Brinca com todos, olha nos olhos, levanta para tirar fotos, abraça, mostra a bolsa inspirada em seus sonhos. Sempre sorrindo, empresta a sua bolsa de uso pessoal para as pessoas tirarem fotos com ela: "a bolsa da capa do livro".
Num intervalo entre uma foto e um autógrafo, mais uma vez ele olha para a minha bolsa, olha para mim: "Eu lembro quando estava fazendo essa bolsa." Digo que o modelo da minha bolsa é um dos que eu mais gosto e então ele frisa: "Não, eu lembro quando estava fazendo a 'sua' bolsa."  O silencio tomou conta de mim, tenho certeza que estampei uma cara de surpresa e ele voltou a dar atenção aos demais.

Faço aqui um parêntese para falar sobre o fato dele, o "Mago das Bolsas" lembrar carinhosamente do momento em que estava fazendo a minha bolsa. Achei fantástico, pois imaginava que a empresa Roberto Vascon fazia bolsas em série e que a presença dele não estaria na produção. E ele mostrou que eu estava redondamente enganada. Como artesã, me identifiquei prontamente, pois o carinho dispensado em cada peça faz com que lembremos daquele momento especial e, no caso dele, acredito que são "os olhos do fazendeiro que engordam o gado". E se eu achava que minha bolsa vinha carregada de uma história maravilhosa, agora então...    Fecho o parêntese.

Fui a última a pegar o autógrafo, até porque, além do meu, haviam mais três livros comigo para serem autografados (encomendas de amigas) e eu não achei justo os demais esperarem.

Depois disso, as pessoas que ainda permaneceram ali souberam que algumas empresas cinematográficas já entraram em contato com ele e que, muito em breve, a história do Mago das Bolsas vai, também, se transformar num filme.

Me despeço aqui, dizendo que minha admiração pela pessoa Roberto Vascon aumentou ainda mais, sua simplicidade, alegria e humildade é contagiante. Estou lendo o livro e me deliciando com a história fantástica desse ser incrível que consegue tocar no coração das pessoas através de seu exemplo, empreendedorismo e fé. 

A bolsa de asas, inspirada no sonho

Concentração para autografar







Meu livro e as "encomendas" de autógrafos

João Morozinski fazendo a pose da foto de capa do livro com a bolsa (de uso pessoal) do Vascon



*Agradecimento especial à João Morozinski, fotógrafo por um dia aqui no blog.


6 de fev. de 2013

No Brasil é assim

O mundo não acabou. Já estamos em fevereiro! E, na prática, 2013 começa só depois do carnaval.
É, no Brasil é assim.

No Brasil, Renan Calheiros volta à presidência do Senado após renunciar em 2007 para não ser caçado em função das denúncias feitas contra ele, na época. Na dança das cadeiras do governo, mudam-se os títulos mas, os corruptos, digo, políticos, continuam os mesmos. O novo presidente do Senado ressalta que exercerá seu mandato de forma transparente. Mais transparente impossível.
É, no Brasil é assim, o povo não tem memória.

No Brasil, 236 pessoas morreram, até agora, por causa do incêndio que atingiu a boate Kiss em Santa Maria, Rio Grande do Sul. Só depois dessa tragédia, os órgãos competentes estão fiscalizando, de fato, as casas noturnas, para que as mesmas ofereçam segurança aos seus frequentadores.
É, no Brasil é assim, as tragédias vêm antes da prevenção.

No Brasil, o salário mínimo em vigor é de R$ 678,00. Já o auxílio reclusão ou "salário de presidiário", que entrou em vigor no primeiro dia de 2013, é de R$ 971,78, de acordo com a Portaria no. 15 de 10/01/2013.
É, no Brasil é assim, o marginal tem mais direitos que o trabalhador.

No Brasil, o trânsito mata mais do que uma guerra. Somente em 2011, mais de 42 mil pessoas foram mortas em acidentes de trânsito enquanto que, na Síria, 10 mil pessoas foram mortas desde o início dos conflitos até junho do ano passado (15 meses) de acordo com a ONU.
É, no Brasil é assim, com a nova lei em vigor, a presença de 0,05miligramas de álcool por litro de ar expelido é considerada infração. Esse limite equivale a menos de um copo de cerveja. No entanto, a venda e o consumo de bebidas alcoólicas nos postos de combustíveis estão liberados. Não seria isso uma contradição?

No Brasil é assim. O total de impostos que pagamos durante todo o ano, equivale a 150 dias de trabalho. Ou seja, para arcar com toda a carga tributária exigida pelos governos federal, estaduais e municipais, temos  que trabalhar o equivalente ao rendimento de quase 5 meses de trabalho. Em 2012, esse período foi do dia primeiro de janeiro até 29 de maio.
É, no Brasil é assim, o valor pago aos impostos são inversamente proporcionais a qualidade da saúde, da segurança e da educação recebidos.

No Brasil, quando o meu avô e depois o meu pai eram crianças, diziam que "O Brasil é o país do futuro". Quando eu era criança, todos na escola diziam que "O Brasil é o país do futuro". Agora, meus filhos são crianças e também, ouvem a mesma ladainha:  'O Brasil é o país do futuro".
É, no Brasil é assim, e eu me pergunto: quantas gerações serão necessárias para que o Brasil seja o país do presente?

No Brasil, a justiça... justiça, que justiça?
É, no Brasil é assim.

No Brasil, no dia 12 de junho de 2014 os brasileiros param o que quer que estiverem fazendo para assistir ao jogo de abertura da Copa do Mundo.
É, no Brasil é assim, e todos cantarão juntos e orgulhosos o Hino Nacional.

5 de dez. de 2012

Reciclar é muito mais que parar de utilizar sacolas plásticas


     Você já organizou ou, pelo menos, participou de uma festa de aniversário infantil? É fácil imaginar a decoração primorosa com o tema preferido do aniversariante, balões, muitos balões, as mesas repletas de brigadeiros, dois amores, trufas e tantos outros docinhos e salgadinhos de festa que nos enchem os olhos e garantes umas gramas de gordurinhas extras. Os presentes embalados em papéis e ou plásticos lindos que, as vezes, nem dá vontade de abrir para ver a surpresa no interior.  E o auge da festa, o parabéns e o bolo de aniversário. Tudo tão lindo, tão perfeito, para garantir a felicidade dos pais e do aniversariante...

     Agora, pense: cada 50 balões vem embalados num saco plástico, numa festa infantil são gastos, geralmente, muito mais de 300 balões, que são descartados após a festa . Cada vez que uma criança vai tomar um suco ou um refrigerante, ela utiliza um copo descartável, porque não sabe onde deixou o anterior. A cada brigadeiro ou outro doce consumido, existe uma forminha e um plástico que o envolve. Isso sem falar nos pratinhos e talheres descartáveis utilizados para saborearmos o delicioso bolo.

     Continuando com a linha de raciocínio: alguém (independente de quem ou quantos foram os envolvidos), foi ao supermercado ou atacadista ou distribuidor comprar os os balões, os copos descartáveis, os guardanapos, o leite condensado para fazer os doces, os ingredientes para os salgados (peito de frango e farinha de trigo para a massa das coxinhas, por exemplo) e tudo isso veio acondicionado em suas embalagens próprias e, geralmente, saem do supermercado ou atacadista ou distribuidor, em sacolas plásticas. Na hora de virarem doces e salgados, são descartadas suas embalagens originais e colocadas em recipientes próprios para os mesmos e que durante a festa são descartados para serem consumidos.

     Pense, tente imaginar a quantidade de lixo que tudo isso envolve. Isso sem comentar o processo de cada item mencionado, enquanto matéria prima, até chegar ao supermercado ou distribuidor ou atacadista.
A festa de aniversário infantil é somente um exemplo utilizado para mostrar o quanto produzimos lixo. E, nesse caso, lixo reciclável. A ideia é mostrar que as sacolinhas plásticas são apenas um detalhe diante de todo o lixo que descartamos. O objetivo não é ser contra a utilização de sacolas de tecido ou outro material reciclável que não seja o plástico, mas mostrar o fato de que as sacolas plásticas são apenas a ponta do iceberg e não resolvemos um problema olhando somente o topo.

     Pense nisso. Não quero aqui defender que as sacolas plásticas devem ser utilizadas, entendo que há algo muito maior que isso. Pense em quanto um supermercado de grande porte lucra com o fim das sacolas. Se esse valor for repassado ao consumidor, eu aceito.

7 de fev. de 2012

Não sei quem é o Mocinho e quem é o Bandido

Curitiba, nesses últimos dias, está com temperaturas elevadíssimas.
Não somente com relação ao clima. No último domingo, logo após a tradicional apresentação do bloco carnavalesco Garibaldis e Sacis, houve um tumulto no Largo da Ordem, região central de Curitiba, terminando num confronto entre a polícia militar e foliões. Como se isso não bastasse, alguns policiais militares usaram as mídias sociais, mais precisamente o Facebook, na tentativa de justificar o ocorrido. Eis algumas pérolas:

"Batemos pouco... para quem não sabe festar... a polícia sabe educar"
"Quem enfrenta a polícia ... é bandido"
"Defendo meu estado com unhas e dentes, no meu caso, com borracha e BOMBAA!"
"Bandido tem que ser tratado como bandido... E aqui no Paraná bandido não se cria"

Afinal, prenderam os bandidos? Estavam infiltrados no meio dos foliões que foram agredidos pela polícia?

"Aqui no Paraná bandido não se cria" Como explicar essa frase, postada por um policial militar, quando, no mesmo domingo que ocorreu o fato, a revista Veja mostra a matéria sobre a pesquisa Mapa da Violência 2012, divulgada há dois meses pelo Instituto Sangari, que mostra que, em dez anos, Curitiba saltou da vigésima para a sexta posição no ranking das capitais com maiores índices de homicídio. São 55 homicídios para cada 100 000 habitantes. E no Paraná bandido não se cria????
Porque eles, os policiais, não comentaram sobre a pesquisa? O que, efetivamente, eles não fizeram para que isso acontecesse?



É gritante o despreparo da polícia, tanto civil quanto militar. Isso não somente devido ao acontecimento de domingo. Relato agora, dois fatos que aconteceram comigo:

O primeiro aconteceu há pouco mais de um ano, quando eu e minha família estávamos no início da viagem para Santa Catarina, no contorno Sul, o trânsito estava lento devido ao movimento e duas viaturas da polícia civil nos ultrapassaram. Um dos veículos estava com cinco pessoas. Meu marido até comentou que era muito provável que estavam levando algum detento num carro impróprio para isso. Dito e feito. Na lombada eletrônica do contorno, na Cidade Industrial, os carros praticamente pararam e saiu um homem algemado correndo em direção ao bairro. Os policiais, a paisana ,saem do carro e um deles saca a arma  e aponta em nossa direção, como se nós, no carro atrás deles, tivéssemos alguma coisa com o ocorrido. Imagina o desespero de uma mãe com seus três filhos e marido dentro do carro e um homem sem a farda da polícia com uma arma apontada na nossa direção?
Transportar um detento num carro impróprio. Uma atitude primária, que acarretou na fuga do bandido.

O outro fato aconteceu recentemente, no dia 21 de dezembro de 2011. Estava de carro na fila do estacionamento da  Praça Rui Barbosa, no centro de Curitiba. A fila terminava exatamente na faixa destinada aos pedestres e coloquei meu carro antes da faixa mesmo com o sinal fechado para o pedestre, nunca se sabe quanto tempo vai levar para a fila andar. Havia, na praça, uma viatura da polícia e três policiais conversando com umas pessoas que estavam num carro branco parado indevidamente na grama da praça, ao lado da canaleta do ônibus que vem da Rua Alferes Poli. Um dos policiais veio ao encontro do meu carro e disse "Senhora, pode seguir em frente, o sinal para pedestre está fechado". Respondi que sabia disso, mas como estava na fila para o estacionamento, eu poderia demorar com o carro em cima da faixa. Ele falou não tinha problema, eu poderia seguir. Fiz o que ele disse e ele saiu. Menos de vinte segundos depois, chega uma policial feminina, também militar, dizendo que eu não posso parar com o carro em cima da faixa de pedestre e que eu deveria sair e dar a volta na quadra para estacionar. Expliquei que ela tinha razão, que eu sabia disso, mas que o colega dela que está lá atrás (apontei para o policial) me liberou para ficar onde estava. Ela simplesmente colocou uma das mãos em cima da arma e a outra sacou o bloco de multas e disse gritando: "Saia imediatamente ou eu lhe notifico!" Tentei argumentar, mas não tinha conversa, qualquer coisa que eu tentasse dizer ela não iria ouvir. Concordei com a cabeça e observei que a fila para o estacionamento andou, fiz toda uma encenação para mostrar que estava retirando o meu carro dali, enquanto os carros da frente andavam alguns metros, o suficiente para que eu saísse de cima da faixa. Quando o carro da frente seguiu, eu também segui , olhei para a policial e falei amorosamente: "agora aqui eu posso ficar ou você tem alguma coisa contra?"
Não quero que estendam tapete vermelho, quero que me tratem como cidadã que sou, quero que não abusem do poder que eles têm por vestirem uma farda. Entendo que os salários deles são uma vergonha, para nos protegerem.
Para nos protegerem.
Essa é a função deles: nos protegerem. Não é mais que obrigação, não é gentileza, é para isso que existem.
Assim como as leis são feitas para serem cumpridas.
Assim como temos que pagar impostos.
Assim como os governantes que são eleitos para nos representarem.
E não estou fazendo piada.

Se o objetivo de tudo isso é amedrontar a população. Confesso que da minha parte eles alcançaram esse objetivo. Tenho medo. Tenho medo deles dizerem que eu os agredi verbalmente, afinal a palavra deles vale mais que a minha. Não confio. Não sei quem é mocinho e quem é bandido. E quem perde é sempre a população.


25 de dez. de 2011

Boas Festas e Feliz vida sempre!!!



Neste ano vou fazer diferente.
Desejo um ótimo Natal, com todos os seus!

Mas não desejarei um Feliz Ano Novo.

Não desejarei felicidades neste ano que se inicia e
que você encontre alegria, amor e sucesso em 2012.
Não vou desejar que este novo ano seja o melhor de todos os anos de sua vida.

365 dias é pouco para o que eu realmente desejo a você. 

Para 2012 eu desejo que você olhe para trás por alguns momentos. 
Momentos suficientes para perceber tudo que aprendeu, que lembre de todas as pessoas que ficaram ao seu lado, torcendo para seu sucesso, que o apoiaram nos momentos difíceis, seja no trabalho, na família ou no amor.

Continue olhando para trás e veja o que você fez de positivo para seus amigos, seus colegas, sua família, sua comunidade e até mesmo para pessoas que você nunca viu.

Eu desejo que com esse mesmo olhar, você pense na vida que quer ter. Escolha sua melhor parte para que ela se torne inteira em sua vida. Pense e trabalhe nisso. É possível, é só querer.

Desejo que você descubra o que lhe dá prazer. Que faça o que ama e ame o que faz.

Desejo que você não seja perfeito nem que sofra em busca da perfeição. Afinal, errando aprendemos mais, ficamos melhores.

Desejo que você seja uma pessoa melhor todos os dias.
E um ano é pouco para todos esses desejos
Eles são desejos para uma vida, para a sua vida, para a minha vida, para a nossa vida.
Então, desejo que possamos ser pessoas melhores todos os dias sempre e para sempre.
Feliz Vida Sempre!!!!  
E não precisa esperar o Ano Novo para isso, vamos começar AGORA!!!


18 de nov. de 2011

Mãe que é mãe vira adolescente!

Como eu sempre digo, não basta ser mãe, tem que participar. E assim, as mulheres aqui de casa foram ontem para o shopping enfrentar uma fila de três horas, depois mais duas horas de espera sentadas na sala de cinema para a pré-estreia às 23:55h do filme Amanhecer. Pensa se alguém reclamou? Mesmo sabendo que teriam que acordar hoje cedinho para ir à escola? Mesmo tendo passado um calor insuportável dentro da sala do Cinemark do Shopping Muller? Mesmo após o filme, quando enfrentamos mais uma fila enorme para pagar o estacionamento? Mesmo tendo que ir e vir apertadinhas no carro para caber todas. Nenhuma queixa, só sorrisos e suspiros.
Foi assim que minha Gabi quis passar a noite de seu 12° aniversário. Foi assim que nós, seis adolescentes (sim, não pude evitar, me senti uma adolescente ao lado de minhas meninas e suas amigas), passamos a noite e metade da madrugada de ontem. E participar da alegria intensa dessas meninas lindas, não tem preço.

Aproveito e posto um texto que fiz para o outro blog há algum tempo sobre a Saga Crepúsculo.


Sim, eu li.

É isso mesmo: li e não me arrependo.  Leria todos novamente, na verdade estou pensando seriamente em voltar a ler nesse momento. Não. Não estou louca e se estivesse não admitiria. Sim, fui mordida e nem doeu, eu deixei que me mordessem e o pior, eu gostei. Tarde demais, agora estou contaminada. Faço parte da legião de fãs que aguardam a seqüência da Saga Crepúsculo, livros e filmes.
Como a Alice que deixou ser conduzida ao país das maravilhas eu fui sugada pelas presas de Edward Cullen. Consumi vorazmente o que chamam de literatura “comercial”.  E tem mais, li e não me preocupei com a escrita literária da Stephenie Meyer, não me preocupei com a forma, fui sucumbida pela história. Apaixonei-me. Não quero falar do enredo da história porque todos já sabem, já está mais que batido. Quero apenas salientar que o homem perfeito, aquele que todas as mulheres sonham em um dia encontrar, é um vampiro.    
Sei que alguns vão “torcer o nariz” ao saber disso, mas agora entendo e, de certa forma, compartilho com essa relação de devoção que as adolescentes nutrem pela saga. Mas, olhando para o lado bom (mas há lado ruim?), Crepúsculo, Lua Nova, Eclipse e Amanhecer me deram motivação necessária para ler O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Bronte, sem eles não teria conseguido. E na seqüência deste, li os clássicos: Razão e Sensibilidade, Orgulho e preconceito, Persuasão, de Jane Austin, também impulsionada pela saga.
Isso me fez pensar numa meta que há muito tempo impus e que ainda não cumpri, de ler os grandes clássicos da literatura mundial: Hemingway, Victor Hugo, Homero, Clarisse Lispector, Maquiavel, Santo Agostinho, Tolstoi e tantos outros como Gabriel Garcia Marques e os seus Cem anos de solidão, que me aguarda neste momento.
Agora entendo que, quando se trata de leitura, o preconceito deve ficar de lado, tudo é válido, devemos ler aquilo que nos agrada seja ela comercial, clássica, best-seller ou não. Mas entenderei perfeitamente se, quando nos encontrarmos, você tiver um dente de alho amarrado no pescoço e um vidro de água benta nas mãos... 

OBS: O Gabriel Garcia Marques e os Cem Anos de Solidão continuam me esperando pacientemente. Já a Clarice Lispector virou minha grande amiga. Também me deliciei com outros escritores recentes. Hemingway está no topo da lista das próximas leituras.

29 de out. de 2011

Titanic - a exposição

Obs: Para entender esse post, recomendo ler o anterior.


A passageira Sra. Margaret Ann Watson, esposa de Edward Ford, de 48 anos de idade, viajante da terceira classe, estava com quatro de seus cinco filhos. Margaret, que foi abandonada por seu marido após dar à luz ao quinto filho deles, enfrentava dificuldades em sustentar a família. Quando soube do sucesso de sua filha mais velha nos Estados Unidos, decidiu levar sua família para lá, já que, com o peso da idade para a época, não estava dando conta de administrar uma pequena fazenda avícola na Inglaterra.

Foi com o cartão de embarque da Sra. Margaret, que conferi a mostra "Titanic: a exposição - objetos reais histórias reais". 
Desde a ambientação sonora e dos próprios objetos até as belas recriações de ambientes como a sala das caldeiras e a luxuosa cabine de primeira classe é possível retornar no tempo ou, se você preferir, fazer parte do elenco do filme de James Cameron.
Quem leu a história ou assistiu ao filme é quase impossível não se comover com todos os artefatos reais que contam a trágica história que mudou para sempre a vida das 2.228 pessoas a bordo, inclusive a da Sra. Margaret, que não teve a sorte dos 705 sobreviventes.


"Não poderia imaginar qualquer desastre fatal acontecendo com essa embarcação, a construção naval moderna já foi além disso" (Capitão Edward J. Smith)  


Objetos resgatados do fundo do mar

Capa New York American

19 de out. de 2011

Titanic navega em mares curitibanos



Pela primeira vez no Brasil, a mostra "Titanic: a exposição - objetos reais, histórias reais", vista por mais de 22 milhões de pessoas, em 85 cidades ao redor do mundo, estará aberta a visitação a partir do dia 28 deste mês, até janeiro de 2012, no ParkCultural em Curitiba. 
São 243 objetos originais do navio, retirados do fundo do mar, incluindo frascos de perfume, partituras, um alfinete de diamantes, uma escotilha e um pedaço do casco da embarcação. A exposição oferece também, a reprodução de um iceberg de 3, 5 metros.
Quando chegam à exposição, os visitantes fazem um regresso na história, vão até o ano de 1912, recebendo logo na entrada uma réplica do cartão de embarque, em seguida, entram em uma viagem cronológica da tragetória do navio, deslocando-se através de sua construção, passando pela vida a bordo, pelo naufrágio malfadado até os esforços de resgate.
A exposição conta com oito galerias distribuídas em 1.500 metros quadrados que relata a história do Titanic e dos passageiros a bordo. 
O Titanic naufragou no dia 15 de abril de 1912, foram 1523 pessoas mortas e 705 sobreviventes. Seus destroços foram encontrados somente em 1985, a 4 km de profundidade, no Atlântico Norte.




Saiba mais:
ParkCultural: Rua Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza, 600, Mossunguê
Entradas no valor de R$ 30,00 inteira e R$ 15,00 meia.
Horário: Segunda a sexta das 11h às 20h
               Sábados, domingos e feriados das 10h às 22h.
Informações: (41) 3377-6600

7 de out. de 2011

Wilma! Faça alguma coisa. - O peso das redes sociais.

Com a proximidade do Dia das Crianças, dia 12 de outubro, usuários das redes sociais trocaram a foto do perfil por imagem do personagem dos desenhos animados ou história em quadrinhos que mais se identifica.  Aderindo assim, a campanha contra a violência infantil criada pela empresa O Melhor da Vida (facebook.com/omelhordavidapage ). Desde o início da campanha até o momento, mais de 100 mil pessoas já mudaram sua foto pelo desenho animado. A campanha foi lançada na internet através da homepage da empresa e de blogs parceiros e rapidamente se alastrou, conquistando vários adeptos. 
Mesmo ciente de que uma simples mudança na imagem do perfil nas redes sociais em nada muda o fato de que milhares de crianças sofrem abuso, quem gostou, aderiu a campanha e até mesmo se divertiu relembrando o tempo de infância e os desenhos preferidos. O protesto, que ganhou grande dimensão nas redes, serviu também para divulgar o contato da Polícia Federal e o Disk Denúncia. Já, quem não gostou, criticou severamente.
Entre os usuários do Facebook que não aderiram, várias são as mensagem dizendo que a troca de imagens pode prejudicar as investigações da Polícia Federal contra os pedófilos. Que aderir a campanha é um ato insignificante... e por aí vai.
Certamente esse apoio à campanha é um ato muito pequeno, basta somente trocar a imagem do perfil e só, o usuário das redes já fez a sua parte e, como Pôncio Pilatos, lavou suas mãos, voltou ao trabalho ou continuou interagindo com seus amigos e colegas de rede, enquanto a violência continua.
Mas aí fica a pergunta: O que foi feito antes disso? Qual mobilização que você participou ativamente e que mudou a realidade dessas crianças ou de qualquer outro assunto delicado e cruel como esse?
A hipocrisia é a especialidade daqueles que estão amedrontados com o peso, a força que as redes sociais estão experimentando. Já foi dito aqui no blog (veja aqui), que a voz das redes pode transformar a realidade. Talvez vemos essa campanha como o grande começo, quem sabe?
Como Fred Flinstsone diria: Wilmaaaa!, faça alguma coisa!!!! Vamos então, Wilmas, Marias, Pedros, josés, Anas... todos, "fazer alguma coisa". Pequenina, dessa vez, mas é melhor que não fazer nada.


Wilmaaaa! Faça alguma coisa!


  

30 de set. de 2011

Curitiba e Foz do Iguaçu são destaques em vídeo da Copa do Mundo



A Embratur vai lançar oficialmente dia 4 de outubro, na Bélgica, o portal www.braziltour360.com .
Curitiba e Foz do Iguaçu são destaques nos vídeos das cidades-sedes da Copa do Mundo de 2014.
O vídeo, de cinco minutos, conta com ótima trilha sonora e já está disponível no portal, junto com os das cidades de Rio de Janeiro, Cuiabá, Manaus e Salvador. A previsão é que o site tenha vídeos de todas as cidades-sede até o começo de 2012.
Imagens belíssimas de Curitiba podem ser vistas nesse trabalho, que mostra a cidade como "sustentável e moderna, que encanta o Brasil e o mundo com sua efervescência cultural". Além de Curitiba, o vídeo mostra, em um minuto, imagens das Cataratas do Iguaçu e suas 275 quedas de água. "Com tanta beleza, você vai entender entender porque o lugar é considerado um dos Patrimônios Naturais da Humanidade".
Vale a pena conferir.

29 de set. de 2011

Procura-se um médico de verdade.


O que você fez hoje das 15:00 às 18:00 horas?
Pois vou falar o que fiz. Acessei o site do meu plano de saúde para ver um médico referenciado, já que o meu querido ginecologista passou a atender somente obstetrícia, em especial gestações de alto risco. E ir a um ginecologista não é nem de longe as cem melhores coisas que uma mulher gosta de fazer. Sempre disse que se tivesse outro filho, certamente teria com ele... bom, vocês entenderam o que eu quis dizer.
Então, acessei o site, procurei por alguns referenciados, peguei o telefone, e fui ligando na tentativa de conseguir uma consulta para o próximo mês. Mês em que todo ano tenho uma experiência não tão agradável com o Papa, é o Nicolau (rs). Que ilusão, uns tinham consulta para dezembro, outros, para março. Mas, como não desisto com facilidade, continuei com a lista, até que um tinha consulta para amanhã. Que beleza, pensei, nunca foi tão rápido! Marquei, anotei o endereço, dei meus dados e no final, a secretária disse que a primeira consulta teria que ser paga, já as demais, a doutora atenderia pelo plano sem problemas.
Agradeci, desliguei o telefone dizendo que voltaria a ligar. Pequei o cartão do plano, liguei para o 0800. Falei com a atendente e perguntei se esse era o procedimento padrão, já que isso nunca havia me acontecido e eu nunca tive que pagar nada, tipo aqueles planos com co-participação. Bom, pra resumir a conversa, a atendente do plano disse que eu não precisaria pagar e que a doutora não poderia cobrar já que ela atende o plano. Agradeci e liguei novamente para o consultório médico. Educadamente expliquei o fato e a secretária me disse em alto e bom tom que "esse procedimento não tem nada a ver com o seu plano de saúde, esse procedimento é uma normatização da médica". Respirei fundo e perguntei como assim? Eu tenho plano, a médica atende pelo plano, e eu tenho que pagar R$ 200,00 pela consulta por quê? Posso falar com a sua doutora?
É claro que ela não passou a ligação para a médica.
É claro que não agendei a consulta.
Quero um profissional que se preocupe
com a minha saúde, não com o bolso dele.

Voltei a ligar para o 0800 do plano e fiz uma reclamação oficial da tal doutora. E foi assim, com muita revolta, e pendurada no telefone, que eu passei boa parte da minha tarde.
Já estudei o Código do Direito do Consumidor, eu sou uma cidadã, eu pago os meus impostos. Cobrar por algo que eu não "preciso pagar" é crime.
Minha filha disse que eu estava fazendo uma tempestade num copo d'água, que era melhor eu pagar a consulta e pronto. Mas se eu me calar e pagar, vou consentir e estimular esse tipo de conduta.
Pretendo agora, consultar meus amigos advogados e esclarecer melhor os meus direitos. Afinal, amigo advogado serve para isso, não é mesmo? ;)
O Bradesco falou que iria entrar em contato com a médica e daria um retorno em cinco dias, para assim, eu agendar uma consulta. Respondi que aguardava o retorno, para saber o que foi feito de fato, mas que essa "doutora" não é, nem de longe, a profissional que eu procuro.


31 de ago. de 2011

Uma questão de ponto de vista

Pequenos imprevistos fizeram-me ausente por aqui, de forma que, tomo emprestado esse texto que escrevi há algum tempo para o blog Pra Cima Com a Autoestima. Quando tudo ficar ao normal, volto com mais tempo.


Estive refletindo a respeito da autoestima. O que faz com que eu me ame mais ou menos?.
Pensando nisso, chego a infeliz conclusão que a tal da autoestima é somente a ponta do iceberg.
Quando falamos em autoestima, logo somos inevitavelmente direcionados à imagem de um espelho, do belo, do que é esteticamente correto e por aí vai.
Agora vamos por partes:
Autoestima nada mais é que a estima que eu tenho por mim mesma. Já o significado de estima, de acordo com o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, é o apreço que se tem a outrem; avaliação. Nesse caso, o outrem, somos nós mesmos.
Mas, baseado em quê ou quem, fazemos, constantemente, essa avaliação de nós mesmos?
Temos que ter algo como parâmetro, não é verdade?
E é aí que mora o perigo.
Baseamo-nos naquilo que os meios de comunicação bombardeiam diariamente e sem cessar e, devido ao "diariamente e sem cessar" tomamos isso como verdade. É a tal da "verdade condicionada". A mentira é dita tantas e tantas vezes, que acaba se tornando verdade.
Você deve estar pensando, nossa, como podemos culpar os meios de comunicação pela nossa autoestima, se ela é/está baixa ou alta? Dessa vez ela foi longe demais...
Calma, continue lendo, que vou tentar explicar melhor o meu ponto de vista.
Vou contar um exemplo, que aconteceu no início do ano. Meus filhos mudaram de escola, Meu pequeno, de sete anos foi para o segundo ano e, no dia anterior ao início das aulas, fomos à escola somente para levar os materiais e conhecermos a professora. Material escolar entregue, apresentações feitas. No dia seguinte, primeiro dia de aula, levei meu filho à escola, ao procurar a professora, tendo como referência seu nome, o jaleco e sua aparência (cabelos compridos, lisos, loiros e com luzes) não soubemos dizer qual era. Todas as professora, do primeiro ao quinto ano, estavam iguais. A mesma cor de cabelo, o mesmo corte, o mesmo jaleco. Só o nome era diferente.
Volto, agora, um pouco ao passado, para exemplificar o que quero dizer. No meu tempo de dezesseis, dezessete anos, a moda, de acordo com os meios de comunicação, era ser "encorpada", com pernas grossas e bumbum grande.
E eu? Bom, eu nasci no tempo errado. Quem me conhece sabe, eu era a magrela de peitos. Não fazia parte do time das aprovadas nesse quesito.
Atualmente, a moda (lê-se mais uma vez meios de comunicação), diz que ser magrela e ter peitos é o que há (viu, como nasci no tempo errado?). E eu me pergunto, como assim? Oue mudou no mundo?  Que parâmetros utilizam para modificarem tanto o corpo da "mulher padrão" em tão pouco tempo? E como ficam as baixinhas com bumbum e coxas?
Silicone em alta (as clínicas estéticas não me deixam mentir), Gisele Bundchen ganhando dinheiro a rodo.
E nós? Onde ficamos nós, pobres mortais, com nossas estrias maternais e celulites femininas? Como lidamos com a nossa autoestima que tem como padrão de corpo e beleza perfeitos as modelos que em nada se assemelham a nossa realidade?
Temos três opções:
A primeira, corrermos atrás do tempo perdido e virarmos refém daquilo que nos empurram, goela abaixo, como perfeição. E alerto aí que, quando pensamos ter chegado lá, algo sutilmente muda e lá vamos nós, encarar outra batalha cruel;
A segunda, viver com a autoestima na sola do pé, infeliz por não fazermos parte do mundo que é estipulado como padrão, tendo o chocolate e o garfo como melhores amigos;
A terceira, e posso dizer que, de certa forma a mais apreciável e menos dolorida, aceitarmos nossas diferenças naturais, nos amando como somos. Imperfeitos humanos normais. Tendo uma percepção crítica em torno daquilo que nos tentam impor. Utilizando e/ou descartando aquilo que nos convém..
Num mundo onde os direitos individuais são vistos como prioridades. Não podemos nos deixar levar pela nossa política econômica, pelo consumismo, pelas mídias, que diariamente ditam o que é moda.
Percebo que os valores estão mudando. No meu tempo de adolescente, celebridades eram as pessoas que tinham uma banda e faziam sucesso por suas músicas, atores, grandes mestres que se diferenciavam por seus trabalhos geniais, seus talentos... O Papa João Paulo II, O U2 por suas músicas politizadas, enfim.  Atualmente, para ser celebridade basta participar do BBB, ir para a faculdade com um micro vestido e ser garota de programa para ter sua vida medíocre contada num filme. O pior é que povo absorve isso como referência.. mas isso é outra história...  
Volto agora para a defesa do meu ponto de vista.
A minha moda é escolher ser feliz, dentro daquilo que me é possível. Se a felicidade, num determinado momento, se concretizar numa barra de chocolates ou num brigadeiro, não tenha dúvida que irei agarrá-la com todas as forças do meu ser. Isso, com certeza fará bem para a minha autoestima. E se você quiser um pedaço, vou pensar no seu caso... Calorias? Relaxa amiga, nada que uma caminhada no Parque Barigui ou mesmo no Parque Passaúna, que agora é mais próximo da minha nova casa, não resolva...
Refém eu? Nunca mais. Agora eu tomo as rédeas da minha vida e do controle remoto da tv.
Mas como eu disse no início, é tudo uma questão de ponto de vista. E eu respeito o seu.

18 de ago. de 2011

A arte e a história no silêncio

É fácil encontrar a beleza onde estamos condicionados a olhá-la. Difícil é enxergá-la nos lugares onde, na maioria das vezes, é tido como um lugar de morte, de perda, de sofrimento e de luto, como é o cemitério.
Mas, para olhar o cemitério como algo esteticamente belo, devemos, primeiramente, refinar o nosso olhar. E aí, mais que olhar o belo, é possível, também, conhecer a história de sua cidade.


Clarissa Grassi, formada em marketing, relações públicas e vice presidente da Associação Brasileira de Estudos Cemiteriais, sabe muito bem disso. Ela é autora do livro "Um olhar... A arte no Silêncio", que aborda a arte tumular no Cemitério São Francisco de Paula, também conhecido como Cemitério Municipal de Curitiba.




O livro oferece uma nova abordagem para a arte tumular, equiparando-a às manifestações artísticas mais comuns, suscitando a importância histórica e artística. Por meio de fotografias, é possível ver cada detalhe das esculturas, mostradas fora de seu contexto tumular. Junto às fotos, um breve texto aborda o significado da simbologia que cada escultura carrega, trazendo à tona, signos já esquecidos por nós. Um olhar fotográfico de 55 esculturas em 152 páginas.

"O cemitério é um museu a céu aberto. Podemos entender o ciclo econômico e migratório da cidade. Pelas fotos é possível descobrir sobre moda em diferentes épocas e ainda acompanhar a tendência artística e arquitetônica através do tempo", ressalta a escritora.

Depois de toda informação, não resisti, fui ao cemitério conferir com meus próprios olhos, já que não o conhecia. 
Nem foi necessário ter o cuidado de levar na bagagem o tal refinamento no olhar. Esperava encontrar somente um lugar de introspecção, de silêncio, como qualquer outro cemitério.  Mas, a "morada dos mortos" me surpreendeu. A beleza das esculturas é incontestável.


Essa foi a minha preferida


 O que mais admirei foi encontrar uma espécie de síntese da memória curitibana. Capelas e mausoléus de várias épocas.




Na parte mais antiga, com seus estilos, requintes e grandiosidade próprios, encontram-se sepultados muitos dos personagens históricos mais ilustres da cidade.




 Deu vontade de trazê-los de volta, fazer uma roda para um bate-papo informal. Quanta história eles teriam para contar...




Boa parte dos nomes de avenidas, alamedas e ruas, estão lá. Vicente Machado, Barão do Cerro Azul, Augusto Stellfeld, Victor Ferreira do Amaral, João Gualberto, General Carneiro, Carlos Cavalcanti de Albuquerque, Manuel Eufrásio Correia e tantos outros que a emoção do momento me impediu de guardar na memória e que, à sua forma, ajudaram a construir a Curitiba que hoje vemos. 

Entrada principal do cemitério


Agora, todos lá, reunidos por um mesmo motivo e comungando do mesmo silêncio.

Para saber mais: O Cemitério Municipal de Curitiba é o mais antigo da capital, a pedra fundamental foi lançada em 1854, mas o primeiro sepultamento foi registrado somente em 1883. Possui 5.700 túmulos e, de acordo com a Secretaria de Comunicação Curitiba, até maio de 2010, foram feitos mais de 72.700 sepultamentos em seus 51.414 m2.
Horário de atendimento: das 07:00h às 18:00h, inclusive aos sábados, domingos e feriados.
Foto: César Brustolin